Quando o padrão se revela no silêncio

Essa percepção chega sem alarde. Não é uma revelação ruidosa, mas um lento assentimento interior. Onde antes havia a queixa contra a vida, a mala pronta para a próxima fuga ou a resignação diante do ‘azar’, instala-se uma quietude observadora. É o instante em que notamos a mão que, sutilmente, desvia o leme sempre na mesma direção, o passo que recua diante da mesma soleira, a voz que sussurra a mesma justificativa antes mesmo que o desafio se apresente. Não há um vilão a ser combatido, apenas um mecanismo a ser visto.

Reconhecer esse desenho interno é um ato de profunda honestidade, desprovido da violência da autocrítica. Não se trata de encontrar culpa, mas de enxergar a engrenagem. Muitas vezes, o que chamamos de autossabotagem é apenas a memória de uma antiga proteção que se tornou automática. Um movimento que um dia nos salvou do perigo, real ou imaginário, e que hoje apenas nos impede de habitar novos espaços. A consciência, então, não julga. Apenas ilumina o gesto repetido, permitindo que o hábito perca sua força de destino e se revele como o que realmente é: um eco.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 19 — O Fim da Autossabotagem

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