A anatomia silenciosa de um hábito

A percepção de um padrão raramente chega como uma revelação abrupta. Ela se anuncia como um cansaço sutil, a percepção de uma gramática interna que se repete em cenários diferentes. São os mesmos silêncios, as mesmas concordâncias automáticas, a mesma leve hesitação antes de expressar um desejo. Cada gesto, isolado, parece inofensivo — uma pequena concessão pela paz. Mas a consciência começa a juntar as peças, a reconhecer o desenho que esses gestos formam ao longo do tempo.

Observar esse mecanismo é um ato silencioso. Não há plateia, nem a necessidade de uma ação imediata. Trata-se de testemunhar a si mesmo no momento exato em que a máscara é ajustada, não por falsidade, mas por hábito. É notar a pequena distância que se abre entre o que se sente e o que se demonstra. Esse vislumbre não é um chamado à revolução, mas um convite à presença. É o ponto onde a repetição deixa de ser destino e se torna, pela primeira vez, apenas um caminho visível.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 18 — Amor Não Exige Máscara

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