O Contorno Silencioso da Repetição

A vida insiste em cenários que se parecem. Mudam os rostos, os lugares, mas a sensação central permanece, um eco familiar que a mente se apressa em justificar, culpando o fora ou se flagelando por dentro. A consciência, contudo, não nasce nesse barulho. Ela emerge no espaço que se abre depois que a acusação cessa e a observação silenciosa pode começar. É neste lugar quieto que se pode notar a própria estrutura em movimento: a mesma forma de recuar, a necessidade de agradar, o medo que desenha as respostas antes que a pergunta seja feita. Enxergar esse fio condutor não é encontrar um defeito a ser corrigido, mas reconhecer uma verdade sobre o próprio funcionamento. É a percepção que, ao invés de buscar culpados, apenas ilumina a tapeçaria que tecemos, um ponto de cada vez.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 4 — A Responsabilidade É Poder

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