O Mecanismo Silencioso que nos Habita

Há uma coreografia sutil que governa a forma como absorvemos o mundo e seus pesos. Não é uma decisão consciente, mas uma sucessão de pequenos movimentos internos, repetidos ao longo de anos até se tornarem invisíveis. O impulso de concordar para manter a paz, o gesto de assumir uma tarefa para evitar a decepção alheia, o recuo para não gerar conflito. Esses não são acontecimentos isolados, mas o funcionamento de um padrão, uma engrenagem que se move no silêncio de nosso próprio ser.

Perceber essa maquinaria não é um ato de julgamento, mas de pura observação. É a clareza que surge quando, por um instante, conseguimos testemunhar o padrão em ação, sem a necessidade imediata de pará-lo ou consertá-lo. Nesse espaço quieto, a repetição deixa de ser um destino inevitável e passa a ser apenas um mapa. Um mapa que revela os caminhos que traçamos por hábito, por medo ou por um antigo desejo de pertencimento, mostrando onde o nosso peso começa e onde o do outro foi adotado como nosso.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 12 — A Leveza Que Você Merece

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