A Testemunha Dentro do Hábito

Existe uma familiaridade em nossos mecanismos internos, uma coreografia que se repete com a precisão do hábito. Por muito tempo, ela não é vista como repetição, mas apenas como vida. O despertar da consciência se anuncia nesse ponto sutil em que, pela primeira vez, enxergamos o passo antes de dá-lo. A percepção não impede o movimento, não evita o gesto já condicionado, mas introduz um novo elemento na dança: a testemunha.

Essa testemunha não julga. Ela apenas constata a cadência, o ritmo previsível da reação, a volta ao mesmo ponto de partida. É nesse instante que a inocência do padrão se quebra. O que antes era apenas um modo de ser, agora se revela um roteiro. A percepção silenciosa não desliga a engrenagem, mas a expõe. E ver a máquina funcionando enquanto se está dentro dela é o primeiro e mais discreto movimento, o início de um incômodo que não permite mais fingir que não se vê.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 13 — Escolha É Movimento

Compartilhe esta reflexão