A textura familiar em outros cenários

Muitas vezes, a mudança externa serve como um véu. Um novo emprego, uma nova cidade ou um novo rosto parecem prometer um recomeço absoluto, mas a estrutura que organiza as respostas internas não se desfaz com a troca de cenário. Ela viaja conosco, silenciosamente, como uma assinatura invisível em cada ato. E há um alívio inicial nessa troca, uma sensação de que o antigo foi, de fato, deixado para trás.

Então, em meio à aparente novidade, um eco se faz sentir. Não um alarme, mas um sussurro: a mesma inquietação diante de um prazo, a mesma retração em uma conversa, o mesmo nó na garganta já conhecido. É nesse átimo de reconhecimento que a consciência vislumbra a verdadeira natureza do ciclo. A percepção de que o enredo não era fundamentalmente sobre o lugar ou a pessoa, mas sobre a própria trama que, em silêncio, se repete, aguardando ser vista em sua essência, para além da superfície das circunstâncias.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 9 — O Que Não É Enfrentado Se Repete

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