Quando a estrutura se revela aos olhos

Habitamos nossos padrões como se fossem a única casa possível; seus corredores são tão familiares que já não notamos os mesmos degraus rangendo. Mas a consciência, quando se aprofunda, não busca demolir a estrutura — ela apenas acende uma luz. É um ato silencioso, quase imperceptível, em que se nota o gosto da mesma desculpa na boca, o peso familiar da mesma fuga, a coreografia exata de um recuo que já se conhece de memória.

Essa percepção não é a promessa de que o padrão vai cessar amanhã. É algo mais fundamental: é a constatação de que ele existe, como um mecanismo separado de quem se é. É enxergar a planta baixa da construção que se confundia com a própria identidade. Nesse instante de clareza, a repetição deixa de ser destino para se tornar um objeto de observação. A estrutura interna, antes invisível, foi finalmente vista. E o que é visto, mesmo que por um breve momento, já não pode ser completamente ignorado.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 19 — O Fim da Autossabotagem

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