A sobrecarga do silêncio consentido

Este desgaste não é ruidoso. É uma corrosão lenta, que se manifesta na irritabilidade súbita, na falta de paciência com o trivial, na dificuldade de encontrar alegria onde antes ela residia naturalmente. É o corpo a sinalizar a dívida que a mente tenta ignorar. A energia vital, em vez de ser investida na criação e na vivência, é desviada para a constante manutenção de uma fachada, para o esforço de sustentar uma paz que é apenas aparente.

A verdadeira quietude não se encontra na ausência de conflito externo, mas na presença de harmonia interna. Reconhecer essa sobrecarga é o primeiro passo para reivindicar a energia que nos pertence. É compreender que o nosso bem-estar não é negociável e que a coragem de expressar a própria verdade, mesmo que de forma tranquila e gradual, é o que nos permite, enfim, respirar fundo e descansar de verdade.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo É Interno