O Eco Interno do Mesmo Passo

Há um instante, antes que o cenário familiar se instale, em que um silêncio particular acontece. É o pressentimento de um roteiro antigo, um eco que antecede a palavra. Nesse momento, o peso não é do acontecimento em si, mas da familiaridade com o mecanismo interno que se prepara para responder. A percepção não chega como uma solução, mas como uma testemunha quieta que observa a engrenagem começar a girar, reconhecendo o movimento que já se iniciou por dentro.

Observar-se assim, sem a urgência de intervir, é um ato de profunda honestidade. Não se trata de lutar contra o padrão, mas de acompanhar seu percurso com uma presença que antes não existia. É nesse espaço que a repetição deixa de ser apenas um destino cego e se torna um fenômeno visível. E ao tornar-se visível, sem julgamento ou pressa, algo em sua natureza se altera, pois aquilo que é visto com clareza já não detém o mesmo poder invisível de antes.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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