Mapear o território que nos habita
Antes de qualquer decisão, existe um mapa. Um mapa mental e emocional que já foi traçado há muito tempo, definindo as rotas seguras, as zonas de perigo e os becos sem saída do nosso mundo interior. Navegamos por este território diariamente, quase sempre no piloto automático, seguindo os caminhos já conhecidos de nossas reações e justificativas. É este mapa que consultamos, inconscientemente, quando decidimos o que aceitar, o que rejeitar e até onde podemos ir.
Quando uma mudança externa não gera a transformação desejada, é porque continuamos a viajar com o mesmo mapa antigo em mãos, esperando que ele nos leve a um novo destino. O cenário pode ser outro, mas as direções que tomamos são as mesmas, pois são as únicas que nosso mapa interno reconhece como possíveis. Ficamos presos não pela paisagem, mas pela nossa própria cartografia limitada, que insiste em nos levar de volta aos lugares de onde tentamos partir.
O trabalho de recomeçar por dentro é, antes de tudo, um ato de cartografia. É acender uma luz e se debruçar sobre este mapa com curiosidade. É identificar as fronteiras que foram desenhadas pelo medo, os rios de mágoa que ainda correm e as montanhas de orgulho que bloqueiam a passagem. Compreender a geografia interna não a muda instantaneamente, mas nos devolve a liberdade do explorador: a capacidade de ver onde estamos e, a partir daí, escolher conscientemente traçar uma nova rota.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 1 — O Começo é Interno