O contorno nítido do que se repete

Às vezes, a consciência não chega como um trovão, mas como um súbito silêncio no meio do ruído. É o instante em que, olhando para trás, vemos o fio invisível que conecta escolhas, reações e dores aparentemente desconexas. Percebemos que não se tratava apenas de má sorte ou da ação do outro, mas de um mecanismo interno, um roteiro particular que vínhamos encenando sem notar. A mesma resposta, a mesma fuga, o mesmo nó na garganta diante de cenários diferentes.

Essa clareza pode ser incômoda. Não porque traz culpa, mas porque dissolve a cômoda narrativa da vítima ou do acaso. Assumir a autoria desse padrão não é se condenar, mas começar a ler o mapa do próprio labirinto. É o ponto em que a pergunta deixa de ser “quem fez isso comigo?” e passa a ser “qual é a minha parte nessa repetição?”. Aqui, a responsabilidade nasce não como peso, mas como a primeira possibilidade de um novo olhar, um poder que reside em simplesmente ver.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 4 — A Responsabilidade É Poder

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