A Geometria Silenciosa dos Nossos Gestos

Antes de qualquer nomeação — medo, proteção, autoengano —, existe a percepção pura da forma. É o momento em que se observa, quase de fora, a coreografia que o corpo executa nos espaços afetivos. O leve recuo, o sorriso que substitui a palavra, o assentimento que apazigua o ambiente. Não é um ato isolado que se revela, mas a constância do padrão, a geometria sutil que se desenha através de inúmeros gestos de contenção, quase invisíveis até se tornarem, de repente, a única coisa que se vê.

Essa clareza não chega com estrondo, mas como a lenta subida de uma maré interna. Ela evidencia os espaços que deixamos de ocupar, as frases que morrem antes da garganta, a energia gasta para manter uma superfície lisa onde, por dentro, tudo é textura e relevo. Ver essa dinâmica não é encontrar um culpado. É apenas reconhecer a arquitetura dos nossos próprios silêncios, o modo como aprendemos a nos ausentar de nós mesmos para garantir um lugar. É um despertar para a verdade de que a paz, por vezes, teve o custo da nossa própria presença.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 18 — Amor Não Exige Máscara

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