A Geometria Familiar dos Nossos Labirintos

Existe um momento, anterior a qualquer análise, em que a consciência apenas testemunha. É a percepção da atmosfera interna que antecede o gesto repetido, o reconhecimento do terreno familiar onde a mesma história se reinicia. Não se trata de nomear o padrão, mas de sentir sua chegada, como quem sente a mudança sutil na pressão do ar antes da tempestade. É uma clareza que não vem da mente que explica, mas do corpo que se recorda daquela mesma coreografia de defesa, fuga ou resignação.

Nesse ponto, a consciência é apenas uma espectadora silenciosa de seu próprio mecanismo. Observar-se assim, sem a pressa de corrigir, é um ato de profunda honestidade. É o momento em que a ignorância deixa de ser um álibi possível. A repetição, despida de suas justificativas, revela-se apenas como um movimento aprendido. Essa visão não promete mudança, mas introduz um peso sutil no centro de nossa permanência. É a verdade nua, vista por um instante, antes que a mente se apresse para cobri-la novamente.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 13 — Escolha É Movimento

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