A Arquitetura Oculta de Nossas Reações

Agimos acreditando escolher, mas muitas vezes apenas seguimos trilhas internas abertas por dores passadas. Reagimos a uma palavra, a um gesto, a um silêncio, não pelo que são no presente, mas pelo que representaram em outro tempo. Essa arquitetura emocional, construída para proteger, torna-se um automatismo. Deixamos de notar que o roteiro se repete, e passamos a chamar de 'eu' esse conjunto de respostas que se tornou previsível.

A consciência não surge como uma ordem para mudar, e sim como um estranhamento sutil. Um momento de clareza em que a reação acontece e, pela primeira vez, uma parte de nós a observa de fora, sem se fundir a ela. É a percepção silenciosa de que o enredo é conhecido, de que o sentimento que emerge já foi sentido muitas vezes, em cenários diferentes. Nesse instante de lucidez, não há luta, apenas o reconhecimento de um padrão. E ver o padrão é o primeiro movimento para deixar de ser governado por ele.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 5 — Dor Não É Identidade

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