Soltar o Mapa Não é Perder-se

Há uma arquitetura interna erguida pelo medo do desconhecido. Cada parede, uma tentativa de conter o fluxo da vida; cada viga, um plano para sustentar o que é, por natureza, instável. Vivemos dentro dessa construção mental, tensos, vigilantes, sustentando um teto que ameaça ruir ao menor sinal de imprevisto. É um esforço silencioso e exaustivo, o de manter um universo inteiro nos ombros, acreditando que a solidez de nossas paredes é a única segurança.

A evolução interior, contudo, não pede que essa estrutura seja demolida com violência, mas que as janelas se abram. A paz não reside em reforçar as paredes, mas em perceber que não há nada lá fora a ser combatido, apenas a vida a ser vivida. Ao soltar a necessidade de prever e conter, o fôlego retorna. O corpo relaxa a postura de sentinela. E descobre-se que o caminho não é um mapa rígido, mas um terreno que se revela a cada passo, um passo que só pode ser dado no presente.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 9 — A Paz Não Nasce do Controle