Silêncio Estratégico
Um acontecimento nos percute, e a inclinação primária é ressoar. Tornamo-nos uma caixa de ressonância para o impacto — a ofensa, a perda, a frustração —, vibrando na frequência do que veio de fora. Nesse estado, não há escolha, apenas reverberação. Cada gesto reativo, cada palavra impensada, é um eco que confirma a soberania do estímulo inicial sobre nosso território interno. A responsabilidade pessoal é, em essência, a reconquista dessa soberania acústica. O silêncio estratégico é essa antessala da escolha. Não é um vazio, mas um espaço de amortecimento ativo, onde a vibração alheia é deliberadamente contida para que uma nota própria possa ser composta. A pergunta deixa de ser sobre a origem do som que nos abalou e passa a ser: 'Qual som eu, como autor, escolho emitir a partir disto?'. Assumir a responsabilidade é recusar-se a ser um eco. É o ato de escutar a percussão do mundo e, em vez de replicá-la, usar a pausa para compor a própria partitura, nota por nota.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 8 — Silêncio Estratégico