Quando o medo de errar projeta uma vida menor.
Essa autolimitação disfarça-se de virtude. Apresenta-se como 'prudência', 'realismo' ou 'humildade'. Dizemos a nós mesmos que estamos a ser sensatos ao não voar tão alto, ao não nos entregarmos por completo, quando, na verdade, estamos a ser governados pela memória de um erro passado e pelo pavor de revisitar a sensação de desvalorização que o acompanhou.
Reapropriar-se do futuro exige desmantelar essa arquitetura do medo. É a decisão consciente de escolher a curiosidade em vez da cautela, a expansão em vez da segurança. É compreender que a dignidade que tentamos preservar ao evitar o erro é, ironicamente, forjada no ato de enfrentá-lo, aprender com ele e ousar tentar de novo, mesmo que com as mãos ainda trémulas. Uma vida sem a possibilidade do fracasso é uma vida sem a matéria-prima do crescimento.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa