Quando a Responsabilidade se Torna Território Pessoal

Há um conforto inegável na narrativa que nos coloca como vítimas das circunstâncias. É uma história simples, com vilões e heróis claramente definidos, e nela, nosso papel é o daquele que suporta, que aguenta, que espera por justiça ou por uma mudança no cenário. Essa posição nos absolve da complicação de sermos coautores da nossa própria vida.

O amadurecimento se anuncia não com um trovão, mas com um sussurro. Uma suspeita silenciosa de que talvez o roteiro não seja tão simples. É a percepção gradual de que, em diferentes palcos e com diferentes atores, certos enredos se repetem. E se o elemento comum em todas essas histórias formos nós? Essa indagação não chega como uma acusação, mas como o convite para ampliar o campo de visão e reconhecer a própria assinatura nos padrões que se desenham.

Assumir essa parte da responsabilidade não é carregar um fardo de culpa, mas sim retomar uma ferramenta de poder. Pois responsabilidade significa 'habilidade de responder'. Ao reconhecer nossa participação, ganhamos um ponto de apoio, uma alavanca para mover o que antes parecia imutável. Deixamos de ser apenas o reflexo do que nos acontece e passamos a ser a fonte de como respondemos. É nesse território pessoal, recém-descoberto, que a verdadeira liberdade de ser começa a fincar raízes.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

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