Quando a Liberdade Encontra Seu Corpo

Há uma fantasia de que ser livre é flutuar, isento das consequências e do peso das decisões. Nessa busca por leveza, evita-se o desconforto de assumir a própria parte na desordem, na insatisfação, no rumo que a vida tomou. Contudo, essa suposta liberdade é uma prisão disfarçada: quem não assume a autoria de seus caminhos se torna refém do acaso, das vontades alheias, das repetições que parecem acontecer *para* si, e não *a partir* de si. Fica-se à deriva, reagindo ao invés de agir.

A verdadeira autonomia desponta no momento em que se para de lutar contra o peso e se decide carregá-lo. Não como fardo de culpa, mas como a matéria-prima da própria história. Olhar para a vida e reconhecer a arquitetura silenciosa dos próprios ‘sins’, ‘nãos’ e silêncios é o que nos devolve o chão. A responsabilidade é esse chão. É o ponto de apoio a partir do qual uma nova escolha, por menor que seja, pode ser feita. A liberdade adulta não é ausência de peso; é a soberania de saber que, mesmo com ele, somos nós que damos o próximo passo.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 13 — O Peso das Próprias Escolhas