Quando a falha se torna um cômodo da casa
Essa arquitetura interna molda nossas decisões. Começamos a viver em função desse espaço restrito, evitando os corredores que levam à exposição, ao risco, à novidade. O resto da casa — nossa vida em potencial — vai se tornando menos frequentado. O medo de que alguém descubra a existência desse cômodo nos faz trancar portas, limitar visitas e, por fim, nos sentir terrivelmente sozinhos na nossa própria morada interior.
Recomeçar por dentro é aprender a mudar a função desse cômodo. Não se trata de demoli-lo, pois isso seria negar a própria história e a lição contida nela. Trata-se de transformá-lo. De um santuário para a culpa, ele pode se tornar uma biblioteca de aprendizados. Um lugar que se visita não para se punir, mas para se lembrar da própria resiliência. É abrir suas janelas para que entre a luz do presente e perceber que a casa é muito maior do que a peça única onde nos acostumamos a nos esconder. Nossa identidade não é a construção, mas o arquiteto que pode sempre redesenhar o espaço.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa