Quando a dor vira morada
A vida dentro dessa morada se torna segura, porém limitada. O mundo lá fora é percebido menos como uma paisagem a ser explorada e mais como um risco permanente à integridade da estrutura. Tudo é filtrado pela pergunta: 'Isso pode me machucar de novo?'. O instinto de proteção, essencial para a sobrevivência, transforma-se em um carcereiro sutil que nos impede de viver.
Recomeçar por dentro envolve, primeiramente, a consciência de que somos o arquiteto e o morador dessa casa. Não se trata de demolir o que foi construído — pois a história que nos compõe merece respeito —, mas de abrir as janelas, derrubar algumas paredes internas e, talvez, construir uma varanda. É o ato de reconhecer que a segurança da reclusão tem um custo alto demais: a própria expansão da vida.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 5 — Dor Não É Identidade