Quando a Dor Não Tem Mais um Culpado

Há um esgotamento na busca por um culpado. Atribuir o sofrimento a um outro, a um evento ou a uma circunstância é um movimento que oferece alívio temporário, um mapa onde a dor tem um endereço que não é o nosso. Nessa narrativa, somos apenas o receptor passivo de uma ação externa.

A maturidade, porém, se anuncia num certo silêncio, quando esse mapa se desfaz. É o momento em que a dor deixa de ser um invasor estrangeiro para se revelar como parte da casa. Reconhece-se, sem alarde, a própria assinatura na planta baixa do incômodo: cada pequeno sim dito por cansaço, cada limite não traçado por receio. A dor não foi terceirizada; ela apenas retorna ao seu autor, e nesse regresso, reside a possibilidade de começar a reorganizar o espaço.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 13 — O Peso das Próprias Escolhas