Quando a Dor Encontra seu Dono

A maturidade chega quando paramos de entregar a conta do nosso sofrimento para que outro pague. Projetar a dor, exigir que o outro a repare ou culpá-lo por nosso desamparo é a forma mais sutil de adiar a responsabilidade pelo próprio mundo interior. Esse movimento nos mantém reféns, sempre à espera de uma ação externa — um pedido de desculpas, um reconhecimento, uma mudança de atitude — que nos devolva o equilíbrio.

A liberdade, no entanto, começa no gesto silencioso e adulto de recolher essa dor de volta para si. É o momento em que se compreende que o sentir, por mais desconfortável que seja, é de nossa inteira autoria. Ninguém pode curá-lo por nós, e responsabilizar o mundo pelo que é nosso apenas aprofunda o vazio e a dependência. Assumir o que se sente, sem terceirizar o incômodo, é o passo que nos devolve a dignidade de caminhar com as próprias pernas, mesmo quando elas fraquejam.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 17 — Autonomia Emocional