Quando a Dor Deixa de Ter Culpados

O inventário das culpas e de seus supostos causadores é um lugar conhecido. Gastamos tempo ali, revendo a lista, reforçando a narrativa de que o sofrimento nos foi imposto. A consciência, porém, quando se aprofunda, revela o esgotamento desse exercício. Ela não invalida a origem da ferida, apenas mostra que permanecer apontando para fora nos mantém reféns de uma reparação que talvez nunca venha.

Assumir a dor como sua, sem terceirizá-la, é um ato de sobriedade. Não há alarde nem plateia. É um movimento quieto, a decisão de parar de esperar que a vida, o outro ou o passado venham consertar o que se sente quebrado. A responsabilidade aqui é a dolorosa lucidez de que, embora a causa possa ter sido externa, a consequência habita em nós. E é somente a partir de dentro que a direção pode ser alterada. É o início de uma liberdade austera: a de responder por si.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 21 — Você Agora Decide