Quando a dor deixa de ser eco

Costumamos tratar a dor da ofensa como uma posse indesejada que precisa ser devolvida ao remetente. A resposta impulsiva, a defesa imediata, é essa tentativa de transferir o desconforto, de não ficar com o fardo. Reagir é, muitas vezes, um ato de terceirização: eu me recuso a sentir isso sozinho, então entrego a você a responsabilidade pela minha agitação.

O silêncio maduro quebra esse ciclo. Ele não é ausência, mas contenção. Nele, a dor não é devolvida; ela é acolhida em seu lugar de origem: nosso mundo interno. É um momento de profunda honestidade, onde se assume a propriedade do próprio sentir. Deixar de reagir não é consentir com a provocação, mas parar de nomear o outro como curador de nossas feridas. É o início da autoria, o instante em que a responsabilidade pela própria paz deixa de ser negociável.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 8 — Silêncio Estratégico