Os mapas que desenhamos por dentro

Nossa mente é uma paisagem, com trilhas consolidadas pelo hábito e pela memória. Os padrões de repetição são como estradas largas e bem pavimentadas que, por mais que nos levem a destinos áridos, oferecem a sedução da familiaridade. Conhecemos cada curva, cada buraco, cada vista desoladora no final do percurso. Viajar por elas não exige esforço de navegação; o piloto automático nos conduz.

O instante de reconhecimento precoce, essa breve clareza, é o equivalente a subir em um ponto elevado e, por um segundo, enxergar o mapa completo. Vemos a estrada à nossa frente e sabemos, com uma certeza desconfortável, que ela termina exatamente onde todas as outras vezes terminaram. Nesse momento, a escolha não é entre um caminho conhecido e um abismo, mas entre uma certeza desgastante e uma possibilidade incerta. A maioria de nós, por medo do desconhecido, desce do ponto de observação e volta para a estrada de sempre.

A coragem de não continuar não é a de destruir a estrada, mas a de se permitir sair dela. É a decisão de explorar uma trilha lateral, um caminho de terra que se embrenha na mata da incerteza. No começo, o passo é hesitante, a vegetação arranha, o destino é invisível. Mas cada passo dado fora do caminho batido é um ato que redesenha nosso mapa interno. Com o tempo, a nova trilha se alarga, torna-se mais segura. E o mais importante: ela foi uma escolha, não uma herança. A estrada antiga permanece, mas agora é apenas uma entre muitas rotas, um registro histórico de um território que já não nos define.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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