O Tempo na Construção Interior

Há uma resistência natural à lentidão, um incômodo que a interpreta como falha ou estagnação. Luta-se contra um ritmo que não corresponde à expectativa, sem notar que a morosidade não é um obstáculo, mas um ingrediente essencial à evolução interior. É ela que permite a decantação das experiências e a sedimentação de uma nova percepção. A pressa constrói fachadas; o tempo edifica estruturas, e a solidez destas depende do vagar que não se mede pelo relógio.

Esse combate gera um ruído que impede de ouvir a obra silenciosa em andamento. A busca por um sinal visível de avanço desvia o olhar do único lugar onde a evolução interior de fato ocorre: o espaço íntimo onde os alicerces são firmados, longe dos aplausos. Acolher a própria cadência, por mais vagarosa que pareça, é um ato de soberania sobre o processo. É entender que a solidez de quem nos tornamos depende da paciência com que se permite ser, agora.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 14 — O Tempo Também Faz Parte da Construção