O silêncio que se segue à culpa

O impulso de nomear um culpado é um ruído que nos protege do desconforto. Ao projetar a responsabilidade para fora — na circunstância, no outro, no destino —, criamos uma narrativa onde somos apenas vítimas dos acontecimentos. Esse movimento, embora traga um alívio passageiro, nos aprisiona num lugar de impotência, pois se a causa de nosso estado está sempre no exterior, a solução também estará. O verdadeiro ponto de virada acontece no silêncio que se instala quando essa busca se esgota. É um momento sóbrio, desprovido de aplausos, em que a pergunta muda. Deixa de ser “quem fez isso comigo?” para se tornar “qual é a minha parte nisso e o que posso fazer a partir de agora?”. Assumir não é se culpar, mas reconhecer a autoria dos próprios passos. É nesse instante que a liberdade deixa de ser uma ideia e se torna uma prática, um caminho que se abre quando paramos de olhar para trás procurando responsáveis e começamos a responder pelo trecho que nos cabe.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 12 — A Responsabilidade Pelas Consequências