O Silêncio que Antecede a Escolha
Reagir é um eco, uma resposta que o corpo aprendeu a dar antes que a consciência fosse consultada. É o caminho de menor atrito, uma forma de preservar dinâmicas antigas sem o desconforto de reavaliá-las. A reação vive do hábito, do roteiro memorizado que garante a previsibilidade dos vínculos, mesmo que ao custo da própria integridade. É uma ausência de si mesmo, uma concessão para que o outro permaneça no lugar que sempre ocupou.
A escolha, por outro lado, nasce de um hiato. Um breve e denso silêncio que se instala entre o estímulo e a ação. Nesse espaço, não buscamos a resposta certa, mas a resposta honesta. É o momento em que se assume a autoria do próprio movimento, compreendendo que toda posição genuína redesenha o mapa das relações. Deixar de reagir por hábito é, em si, uma decisão sobre o tipo de presença que se deseja ter no mundo e nos vínculos. Uma decisão cujas consequências nos pertencem.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 7 — Afastamentos Necessários