O Silêncio Que Ajusta o Olhar
Depois das cinzas, há um momento em que a mente para de fazer a chamada. A lista de ausências, antes tão nítida, perde a sua urgência. Não é esquecimento, mas um cansaço sereno que se instala, uma paz que emerge da exaustão de esperar por quem não veio.
Nesse silêncio, o olhar se ajusta. A percepção deixa de varrer o horizonte em busca de vultos e passa a notar a solidez do chão sob os próprios pés. É ali que se revela o essencial: não a contabilidade do que o fogo levou, mas a qualidade inesperada do que permaneceu. O vínculo que sobreviveu sem alarde, a mão que se estendeu em meio ao silêncio, a presença que se fez abrigo sem precisar de um nome.
Extraído de
Depois das Cinzas
Capítulo 8 — Quando a Ausência Também Ensina