O Silêncio Diante do Cardápio
Imagine a cena: uma mesa partilhada, um cardápio aberto. Ao redor, vozes e opiniões circulam sobre o que é melhor, mais interessante ou sofisticado. Por muito tempo, cada escolha ali seria um cálculo, uma peça a mais no personagem que precisava parecer integrado, atualizado, pertencente. Um esforço que consome a energia antes mesmo de a comida chegar.
A evolução interior, contudo, opera um deslocamento sutil, mas profundo. A mão percorre as mesmas opções, mas o olhar já não busca aprovação; busca coerência. A escolha por algo mais simples, ou apenas dissonante do grupo, deixa de ser um ato de rebeldia para se tornar um exercício de soberania. A paz não está no prato que virá, mas na integridade deste pequeno ato: o instante em que a consciência, amadurecida pelo percurso interior, se reconhece e se honra, sem a necessidade de plateia.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 18 — A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo