O Silêncio Depois da Justificativa
A narrativa da culpa é um ruído que nos mantém reféns do passado e das ações alheias; nela, somos coadjuvantes de um roteiro que parece escrito por outros. Sustentar a própria palavra exige abandonar essa posição. O momento em que a voz que aponta para fora se cala, não por força, mas por puro esgotamento, abre uma clareira silenciosa. É nesse espaço que a pergunta muda. Deixa de ser ‘quem fez isso comigo?’ para se tornar ‘o que eu farei com isso que sou?’.
Essa é a transição da queixa para a resposta, o instante em que se deixa de reagir ao mundo para começar a responder por si. Honrar uma decisão, nesse terreno, não é um ato heroico, mas o primeiro gesto concreto de autoria. É o adulto que emerge para assumir o peso e, por consequência, a liberdade de ser o autor do próprio caminho.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 16 — Sustentar a Própria Palavra