O Silêncio Depois da Culpa
Há um silêncio que se instala quando a busca por um culpado cessa. É o instante em que a pergunta 'quem me provocou isso?' é substituída por 'o que farei com isso que sinto?'. Nesse ponto, a responsabilidade deixa de ser um fardo externo e se torna um endereço interno, um lugar de autoria. O foco desvia-se do gesto do outro e volta-se para a qualidade da nossa própria resposta, que é o único território que de fato nos pertence.
Assumir essa posição é o verdadeiro marco da autonomia. Significa arcar com as consequências das próprias escolhas, inclusive a de não ser compreendido ou aprovado. A dor da rejeição ou da crítica não desaparece, mas muda de natureza: deixa de ser uma prova da nossa inadequação e passa a ser apenas o preço eventual da nossa integridade. É a liberdade adulta de pertencer, primeiro, a si mesmo.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 17 — Autonomia Emocional