O Silêncio Depois da Acusação
A busca por um culpado é um antigo adiamento da autoria. É mais simples, e momentaneamente mais cômodo, atribuir o peso do caminho a algo ou alguém — às circunstâncias, ao passado, aos outros. Esse movimento desvia o olhar da encruzilhada presente e da responsabilidade de escolher uma direção, pois enquanto há um réu externo, nos mantemos como vítimas indefinidas, à espera de uma reparação que talvez nunca chegue.
Até que o esgotamento se instala. Não o esgotamento do caminho, mas o de não caminhar. É nesse instante, muitas vezes silencioso e sem testemunhas, que a pergunta muda. Não mais 'por que isto aconteceu comigo?', mas 'o que farei a partir disto?'. Responder, aqui, é o primeiro ato de maturidade. É aceitar a dor da renúncia que toda escolha impõe, não como um castigo, mas como o custo intransferível de ter um rumo para chamar de seu.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 4 — Decisão Também Dói