O Silêncio Antes da Resposta

Reagir é um espasmo da memória; uma resposta que o corpo oferece antes que a consciência possa deliberar. É o eco de antigas necessidades de aceitação ou de esquivas a conflitos, um padrão que nos move sem que estejamos no comando. Nesse automatismo, a vida acontece em nós, mas não a partir de nós. Não há autoria, apenas o cumprimento de um roteiro escrito por medos passados, onde cada gesto não é uma escolha, mas o trilho inevitável de um trem que já partiu.

Escolher, por outro lado, exige a criação de um instante de quietude. Um breve e denso espaço entre o pedido que chega de fora e a palavra que sai de dentro. É nesse intervalo que nos consultamos, que pesamos não apenas o desejo do outro, mas a nossa própria verdade, nosso limite, nossa energia. A responsabilidade adulta não reside na resposta em si, mas em assumir o que brota desse lugar de integridade. Um sim ou um não que nos pertence, finalmente, e que carrega o peso e a liberdade de ser nosso.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 2 — O Direito de Dizer Não