O ponto de cessar-fogo interior
A vida reativa é um eco: uma provocação chega, uma reação devolve. Nesse ciclo, a responsabilidade parece ser sempre do outro. O ponto de virada, porém, não faz alarde. É o instante em que a pessoa para de procurar a origem do incêndio lá fora e compreende que a decisão de alimentá-lo ou de se afastar é sua. A culpa se dissolve, não por perdão, mas por irrelevância. O que importa não é mais quem começou, mas quem escolhe o que acontece dentro de si a partir dali.
É nesse terreno que o silêncio deixa de ser omissão para se tornar autoria. A pausa antes da resposta não é fraqueza, mas o exercício de um poder soberano sobre o próprio território interior. Ao escolher não reagir, a pessoa rompe o ciclo de culpas e assume a inteireza de sua postura. Nela, para de responder ao mundo e começa a responder por si. Esta é a liberdade quieta que nasce de ser o único responsável pelo próprio caminho, mesmo quando a trilha é provocada por outros.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 8 — Silêncio Estratégico