O Peso e a Dignidade do Próprio Caminho

Existe um peso concreto em arcar com os efeitos das próprias decisões. É um peso que muitos tentam evitar, buscando no outro ou nas circunstâncias um alívio que é apenas adiamento. No entanto, é justamente nesse peso que a vida adquire substância. Deixar de ser passageiro dos acontecimentos e assumir a costura silenciosa do próprio enredo implica aceitar que cada fio puxado reorganiza a trama inteira, e que nem toda reorganização será confortável.

A dignidade que daí emerge não é um troféu, mas um alicerce. É a inteireza de quem não se desfaz diante do eco das suas escolhas, sejam elas acertos ou desvios. É a liberdade sóbria que nasce não da ausência de erros, mas da coragem de olhar para o que se desdobrou e dizer, sem estardalhaço: 'Isto, também, me pertence'. Nesse reconhecimento reside a passagem para uma existência adulta, onde a responsabilidade deixa de ser fardo para se tornar o próprio chão que se pisa.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 12 — A Responsabilidade Pelas Consequências