O Peso Digno do Próprio Passo

Esse reconhecimento é o fim da terceirização da vida. Cessa o tempo de apontar para o passado, para os outros, para as circunstâncias como arquitetos únicos de nosso presente. Essa lucidez tem um peso: o da solidão de quem se vê no centro da própria construção, sem bodes expiatórios ou salvadores. Não há festa, apenas a sóbria constatação de que a autoria é um ofício intransferível.

E é justamente nesse ofício que reside a dignidade. Assumir a responsabilidade pelas rotas escolhidas, pelos desvios e pelas chegadas, confere uma integridade que nenhuma justificativa pode oferecer. É a liberdade adulta, que não se ilude com a ausência de limites, mas encontra sua força na coragem de sustentar o próprio passo no terreno incerto. A vida passa a ter o nosso rosto, e isso é, ao mesmo tempo, o fardo e a honra.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 21 — Você Agora Decide