O Peso de Ser o Próprio Guardião
Há um peso inegável em se tornar o principal responsável pela própria vida. É o peso de não mais delegar a culpa, de não mais esperar que o outro defina nossos contornos ou valide nossas necessidades. Essa responsabilidade nos coloca diante das consequências diretas de cada escolha, inclusive da escolha de não estar sempre disponível. É um movimento que encerra o conforto frágil da vitimização e nos obriga a olhar para a própria suficiência, ou para a sua falta.
Mas é nesse lugar de peso que reside uma dignidade silenciosa. A dignidade de ser o autor, e não o personagem secundário na história de todos os outros. Proteger a própria energia não é um ato de afastamento do mundo, mas o reconhecimento de que nosso espaço interno é o único território sobre o qual temos verdadeira soberania. Assumir esse governo, com seus fardos e sua solidão, é a única forma de construir um caminho que, ao final, podemos chamar de nosso.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 9 — Autoproteção Emocional