O Olhar que Deixa de Ser Espelho
Antes de compreendermos a natureza da evolução interior, o olhar para dentro se assemelha a encarar um reflexo. Vemos inseguranças, medos e padrões como traços definitivos, uma imagem que apenas nos cabe aceitar. A identidade parece um veredito, e nos tornamos espectadores passivos da própria paisagem interna, acreditando que ela é imutável.
O trabalho central da evolução interior é, portanto, essa requalificação do olhar. Ela nos desloca do lugar de reflexo para o de solo onde tudo acontece. A atenção se revela como o nutriente silencioso, e a consciência, como o agricultor. Deixamos de ser a imagem para nos tornarmos o campo.
A verdadeira prática da evolução interior não é uma batalha contra o que já brotou, mas um ato de cultivo deliberado. O medo pode estar lá, mas a consciência pode escolher nutrir a responsabilidade. A dor pode existir, mas o cuidado pode ser direcionado à construção da inteireza. Esta é a mecânica sutil da nossa evolução: não a erradicação do que nos desagrada, mas o fortalecimento consciente do que nos torna íntegros.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 8 — O Que Você Alimenta Cresce