O Ofício de Carregar a Si Mesmo
Quando a consciência se instala, ela desocupa um antigo morador: a culpa que se lança para fora. O acaso, o outro, o passado, todos perdem força como justificativa universal. Este é o peso: perceber-se no centro da própria equação, não como causa de tudo, mas como a única variável capaz de responder ao que se apresenta. É um lugar mais sóbrio, desprovido dos álibis que ofereciam um consolo frágil, e é nele que uma dignidade discreta fincará raízes. Carregar a si mesmo, com as hesitações e as certezas imperfeitas, é o ofício da maturidade. A liberdade adulta não reside na ausência de fardos, mas na coragem de assumi-los como seus. É a integridade de dizer, em silêncio: 'Isto é meu. A consequência desta escolha, desta ação... eu assumo'. Não há espetáculo, apenas a firmeza de quem começou a caminhar no próprio caminho.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 1 — Consciência Exige Ação