O inventário silencioso do que nos custa
Chega um momento em que o cansaço não se explica mais pelo excesso de tarefas, mas pelo excesso de respostas. Respostas a provocações, a demandas alheias, a narrativas que nos colocam como vítimas ou devedores. Neste ponto de inflexão, a pergunta muda. Deixa de ser ‘quem fez isso comigo?’ e se torna, em silêncio, ‘por que eu continuo entregando minha força a isso?’. Não há ruído. Há apenas a constatação de que a energia, sendo finita, é um patrimônio.
A autoria não nasce de uma súbita capacidade de mudar o mundo, mas do ato maduro de assumir a gestão desse patrimônio interno. É quando se compreende que a maior responsabilidade não é dar conta de tudo, mas escolher conscientemente do que não daremos mais conta, para que algo essencial possa, enfim, ter lugar.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 10 — Energia Não É Infinita