O Gesto de Observar Sem Nutrir
O universo deste capítulo nos apresenta um paradoxo silencioso. A orientação inicial de direcionar o alimento da atenção para o que desejamos que cresça é um passo essencial. Contudo, a jornada da evolução interior revela que certas sombras não desaparecem com a simples indiferença. Há um momento em que é preciso olhar para o medo, para o ressentimento ou para um antigo padrão, não para reforçá-lo, mas para compreendê-lo em sua natureza, retirando-lhe o poder que a nossa ignorância lhe concedia.
Este é o gesto de observar sem nutrir. É uma qualidade de presença que reconhece sem se identificar, que vê sem julgar, que acolhe a existência de uma dor sem lhe oferecer o trono da identidade. Aqui, a atenção não é um alimento, mas uma luz mansa que ilumina o suficiente para que possamos nos desvencilhar do que não nos serve mais, deixando que, por falta de energia, definhe por si só. É um ato quieto de soberania interior.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 8 — O Que Você Alimenta Cresce