O Gesto de Não Responder

Existe um modo de funcionamento que opera abaixo da consciência, onde a energia é entregue a cada impulso, a cada provocação externa. É a reação que se tornou hábito. Neste lugar, não há autoria, apenas o desgaste silencioso de responder a estímulos que, na maior parte do tempo, não constroem nada. O dia se esvai não em grandes tarefas, mas em pequenos atritos que minam a disposição interna, deixando um saldo de cansaço sem propósito.

A maturidade se revela no espaço que se cria entre o estímulo e a resposta. É nesse intervalo, por vezes de um segundo apenas, que a responsabilidade se instala. Trata-se de reconhecer que nem toda porta precisa ser aberta, nem toda conversa precisa ser tida, nem toda ofensa merece nossa força vital. Assumir o governo da própria energia é um ato de sobriedade. É a escolha de se retirar do palco de dramas menores para ter presença inteira na construção silenciosa da própria vida.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 10 — Energia Não É Infinita