O Fim da Queixa, o Início da Posição

Enquanto a energia se esgota na queixa sobre o espaço que o outro invade, a pessoa vive refém de uma narrativa externa. O foco está no comportamento alheio, no excesso do pedido, na falta de percepção do mundo. E nesse ruído que aponta para fora, a responsabilidade se dilui. O indivíduo se sente vítima de uma dinâmica que parece apenas acontecer com ele, sem perceber que sua própria omissão é a chave que mantém a porta aberta.

De repente, em um momento de quietude, a pergunta muda. Não mais “por que o outro faz isso?”, mas “por que eu continuo aceitando?”. Esse é o despertar para a autoria. A culpa, antes projetada, retorna como uma lúcida percepção de agência. Não se trata de autoflagelo, mas do reconhecimento sóbrio de que toda permissão é uma escolha, e todo silêncio tem consequências. É aqui que o peso da circunstância se transforma na possibilidade da resposta. A decisão de estabelecer um limite deixa de ser uma reação ao outro e passa a ser uma ação por si mesmo.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 3 — Limite Não É Agressão