O Fim da Busca por Culpados
É comum e quase instintivo atribuir a dor ao outro, às circunstâncias, ao passado. Construímos narrativas onde somos o efeito e o mundo, a causa. Esse roteiro oferece um aparente conforto, um álibi para a nossa paralisia, mas nos mantém reféns de uma explicação que não resolve. A inquietação persiste, mas o culpado está sempre do lado de fora.
A maturidade adulta se revela nesse silencioso reconhecimento: a dor de hoje talvez não seja mais causada pelo golpe de ontem, mas pelo incômodo gerado pela nossa própria omissão. É quando o desconforto de uma vida incoerente deixa de ser terceirizado e passa a ser visto como um chamado à responsabilidade. Não se trata de culpa, mas de autoria. Responder pela própria ferida é o primeiro passo para parar de sangrar.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 15 — Coerência Interna