O eco da ferida na voz da identidade
Inconscientemente, passamos a nos apresentar aos outros a partir desse roteiro. Nossas ações, nossas escolhas e até mesmo nossas reações ensinam às pessoas como elas devem nos ver e nos tratar. Criamos um eco. Ao nos comportarmos como alguém que espera ser traído, por exemplo, induzimos um estado de vigilância e suspeita que pode, por si só, corroer a confiança e gerar o afastamento que tanto temíamos. A profecia se cumpre não por uma conspiração do destino, mas porque fomos seu principal arquiteto e porta-voz.
Desfazer esse nó requer um trabalho de silêncio e observação. Exige que separemos a voz que narra a história da consciência que a escuta. A identidade baseada na dor é apenas uma camada, uma vestimenta antiga que já não nos serve mais, embora pareça familiar e segura. O passo fundamental para um recomeço é perceber que não somos a história que contamos sobre nós mesmos. Somos o espaço silencioso onde essa e outras inúmeras histórias podem ser acolhidas, compreendidas e, finalmente, transcendidas.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 5 — Dor Não É Identidade