O eco da falha no vasto salão do ser

Confundimos, com frequência, o evento com a essência. Um erro é um ato, um momento cristalizado no tempo, que reverbera como um eco. Nós, no entanto, somos o salão onde esse eco ressoa. Um espaço vasto, com inúmeros outros sons, silêncios, luzes e sombras. A tendência de nos identificarmos com a falha é como acreditar que o salão inteiro se resume àquele único som, ignorando toda a sua arquitetura, sua história e seu potencial para abrigar novas melodias.

Contemplar essa distância entre o ato e o ator não é um convite à irresponsabilidade, mas a uma forma mais profunda de autopercepção. Significa reconhecer que, embora o eco da falha possa ainda soar, ele não constitui a totalidade da nossa estrutura. A nossa consciência é a própria acústica do lugar, capaz de observar o som, notar sua intensidade, sua duração e, por fim, seu gradual desaparecimento. Somos o contexto, não apenas o conteúdo momentâneo.

Nesse entendimento, o erro se transforma. Deixa de ser uma tatuagem na alma para se tornar uma nota na partitura da nossa jornada. Uma nota que, talvez dissonante, nos ensina sobre harmonia, sobre ritmo, sobre a composição que desejamos criar daqui para frente. A pergunta 'e se você não é o seu erro?' nos devolve a batuta de regente da nossa própria orquestra interior, permitindo que a próxima peça seja tocada com mais sabedoria e presença.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa

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