O Aconchego da Culpa Alheia

Apontar o dedo para o exterior — para o sistema, para o outro, para o passado — oferece um tipo de tranquilidade. Nesse roteiro, somos personagens passivos, e a responsabilidade pelo nosso desalinhamento interno parece pertencer a uma força maior. É um abrigo que nos protege do peso intransferível de sermos os autores das nossas respostas, mantendo-nos no espaço conhecido da inação onde a mudança é apenas uma teoria.

Sair desse lugar não é uma explosão de heroísmo, mas um ato silencioso e adulto. É o reconhecimento de que, embora não controlemos os eventos, a maneira como nos posicionamos diante deles é nosso domínio. Assumir a escrita da própria jornada implica aceitar as consequências, as incertezas e a solidão que, por vezes, acompanha uma escolha coerente. A coerência interna, afinal, cobra o abandono da narrativa confortável do vitimismo para que a liberdade possa, enfim, começar a ser construída.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 15 — Coerência Interna