O Abrigo Inservível da Passividade

O lugar de vítima oferece um alívio temporário: a ausência do peso da autoria. Ali, as circunstâncias são os vilões, os outros são os atores principais e a nós resta apenas o papel de quem sofre o enredo. É uma narrativa que nos isenta de olhar para a arquitetura silenciosa que ajudamos a erguer com nossas próprias concessões, adiamentos e palavras não ditas. A queixa se torna um escudo contra a pergunta incômoda: qual foi a minha parte nisso? A vida que simplesmente acontece a alguém é uma vida da qual se abdicou.

Assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas não é um ato de culpa, mas de apropriação. É o reconhecimento sóbrio de que a inação também é uma ação, e que cada permissão dada em silêncio foi um tijolo na construção da realidade presente. Essa maturidade é desconfortável, pois nos retira o direito de simplesmente apontar para fora. Em troca, devolve a dignidade de sermos os agentes da própria jornada, mesmo quando o caminho é árduo e o destino, incerto. É a liberdade que reside em responder pelo próprio passo.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 13 — O Peso das Próprias Escolhas